quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Entre as brumas da memória: Ó mãe, eu não posso faltar!! Eu hoje tenho prova e...

Entre as brumas da memória: Ó mãe, eu não posso faltar!! Eu hoje tenho prova e...: Este blogue vai publicar, nos próximos dias, posts relacionados com o 25 de Abril. Este é o primeiro, da Rita Veloso , e é divulgado...

Entre as brumas da memória: Ó mãe, eu não posso faltar!! Eu hoje tenho prova e...

Entre as brumas da memória: Ó mãe, eu não posso faltar!! Eu hoje tenho prova e...: Este blogue vai publicar, nos próximos dias, posts relacionados com o 25 de Abril. Este é o primeiro, da Rita Veloso , e é divulgado...

a busca da razão: Ernesto Azevedo

a busca da razão: Ernesto Azevedo: Ernesto Azevedo A BUSCA DA RAZÂO........A liberdade só o é.... se a sua realização comportar a sociedade como valor colectivo

a busca da razão: Ernesto Azevedo

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Jornal «Avante!» - PCP - Exemplo que não esquecemos!

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a busca da razão: Gmail - Escrever e-mail - ernestoazevedo@gmail.com

a busca da r

Ser-se humano - texto de Ângelo Veloso

E ainda em jeito de aniversário, repesco um excerto, longo, de uma carta do meu pai, escrita a 14 de Abril de 1971, no Forte de Peniche. Esta carta toca-me especialmente porque o meu pai, fazendo uma profunda reflexão filosófica sobre a condição humana, diz que escreve como gostaria um dia de falar com as filhas.



«Há meses que ando a ler uma história universal medíocre,em 20 volumes. (Vê lá tu! Ainda me sucede, como ao personagem do Eça, dizer depois "escapou-se-me tudo") Ao longo de páginas e páginas, vão sendo engolidas gerações e gerações. Cartas quase iguais às que hoje se cruzam, foram já escritas. Transcreve a tradução duma, gravada em placas de argila há não sei quantos milhares de anos: um homem escreve a uma mulher perguntando-lhe dum filho, dos parentes, falando-lhe do seu amor, dos seus projectos e das suas preocupações. Montanhas anónimas de pó! Para quê? Às vezes, estremeço e caio no Pessoa: "Sempre uma coisa defronte da outra / Sempre uma coisa tão inutil como a outra / Sempre o impossível tão estúpido como o real / Sempre o mistério do fundo tão certo como sono de mistério da superfície / Sempre isto e sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra!" Mas não é exacto: não foram pó que ao pó regressou; não foram nada acumulando-se sobre coisa nenhuma. Tudo isto, até estes versos de Pessoa, até estas palavras, até esta inquietação angustiada, até estas grades, criaram e acumularam. Estão aqui connosco, todos,neste nosso mundo e em nós. Lembro uma frase (...) sobre as tendências"naturais" do homem. (...) É do século XVIII essa óptica de que a"civilização" afasta o homem do que lhe é natural! Pura idealização a substituir uma outa mística! A história do homem não é senão a história natural duma espécie animal: a espécie humana. Bicho sui generis, a sua história é complexa, mais rápida, multiforme, sujeita a leis também específicas. Mas ainda e sempre uma história "natural": que outra coisa poderia ser? Dito doutra forma, a natureza do homem constroi-se num processo histórico; não é qualquer coisa de fixo, transcendente: é o que historicamente vai sendo. É tolo- e é mau - reduzir a natureza do homem à bestialidade primitiva: ao viver em hordas, à meia dúzia de gritos guturais, à promiscuidade, à ainda animalidade do comer, do habitar, do sentir, do amar, do pensar. Natural também não se confunde com instintivo: negaríamos a realidade palpável do que melhor construímos e somos - ou podemos ser. À (...) citação contraponho esta: «é numa fase adiantada da história do homem que se desenvolve e se produz pela primeira vez a riqueza sensorial "humana", o ouvido musical, a vista sensível à beleza formal, em suma, os sentidos capazes de gozos já "humanos".O homem constroi-se a si próprio humano"» Outras citações ainda mais explícitas eram possíveis. O erro é empobrecer a natureza humana fixando-a num certo homem duma dada étape histórica. O crime é cobrir com o manto do"natural" (logo inevitável, logo bom) intuitos ou sensibilidades ou erros ou caracteristicas grosseiras e mesquinhas - quantas vezes, afinal, apenas a própria imagem; ou, dito doutro modo, mascarar de "natural" o que é já rejeitado pelo próprio homem, o que é já hoje historicamente desumano.Abre-se o caminho ao que se quer e a tudo...



Em quase todas as épocas, grupos de homens buscam para avida um sentido alheio ao facto essencial de pertencerem à espécie humana - ao que chamamos humanidade. E encontram-se sós, angustiados perante a morte.Alguns atiram-se à conquista cega duma felicidade a curto prazo, agora e aqui,porque a morte é imprevisivelmente certa. Foge-lhes a juventude, fogem-lhes os dias. Velhos, velhos, fazem constantemente as contas ao que ganharam ou perderam: e sempre se perdem por inteiro. Desenfreados (com mais ou menos verniz supra-espiritual ou supra-sensível), afundam-se em qualquer ópio: no haxixe ou na sensualidade ou no vinho ou no jogo ou em qualquer coisa, mais ou menos idêntica. Tentam atafulhar em cada momento uma eternidade que lhes foge.Revelam por vezes a lucidez de quem sabe que apenas se atordoa, de quem se sabe um produto alienado e quase sem culpa duma humanidade que se constrói dividida."Cadáveres adiados que procriam" - ainda F. Pessoa. O fenómeno atinge, porém, expressões mais significativas e complexas em dados momentos históricos: na decadência grega ou romana, no século XVII da Inglaterra ou XVIII da França, etc; um pouco em toda a parte, quando esta história tumultuosa que fazemos põe em causa valores estabelecidos e simultaneamente aliena e destrói os laços dos homens com o humano; quase sempre, precisamente nas épocas de rotura em que, num outro pólo, transparece um homem mais humano, se afirma mais rica e exemplar a construção da grandeza inequívoca do homem. Hoje, também e mais do que nunca: é o mundo marginal dos hippies, dos provos, dos blusões negros, e o resto - que, afinal, apenas condensam com maior virulência, como num abcesso, a desorientação de largos estractos. Mas as caracterísitcas são ainda idênticas: a desumanização, agora desenfreada, a solidão vazia vazia, o esgotamento, a loucura, o suicídio - fisico ou não. Alienados no individualismo vazio, no gozo epidérmico, saltitantes e instáveis na busca do prazer fácil, acordam cada vez mais sós, mais mortos, mais condenados. Não é uma conclusão moralizante que formulo; é a constatação do logro, da total ineficácia para construir mesmo e sobretudo uma qualquer felicidade pessoal, possível apesar de tudo. O homem só se recupera humano identificando-se com os objectivos naturais (historicamente naturais) da própria espécie: a ética humanista é válida porque é a única senda possível para essa identidade (contraditória, turtuosa e turturada, embora) do homem com a sua humanidade. Eu sei: só se vive uma vida. Individualmente é muito importante, mas não conduz a nada dar-lhe um qualquer significado imediatista, de superficie, de flor-da-pele. O encontro com a morte é irrelevante para pedaço duma humanidade que essa sim se constrói e perdura.Que construímos e em que perduramos. Naturalmente humana, breve radicalmente humana.



Escrevo-te aos supetões porque estou de faxina. Não, com certeza, com palavras abertas, não medidas, como gostava de te escrever. Mas acredita que te escrevo como gostaria um dia de falar à R e à S, isento,convicto, rebuscando dizer-lhes qualquer coisa de muito importante para a sua própria vida. Não palavras para me esconder, não palavras para cobrir fraquezas ou erros ou qualquer outra coisa. Palavras esforçadas para comunicar com exactidão o que aprendi neste "trânsito mortal". Porque contraditório ,complexo, com isto ou com aquilo, tal como sou - não faço contas.»



(excerto integrado num texto publicado no Entre as Brumas da Memória (http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2012/04/o-mae-eu-nao-posso-faltar-eu-hoje-tenho.html) e numa nota minha aqui, no Facebook)


azão: Gmail - Escrever e-mail - ernestoazevedo@gmail.com

sábado, 24 de maio de 2014

"O Objectivo e o seu contrário"

Devemos por dever de consciência tornarmos.nos atentos a tudo que nos rodeia e saber analisar aquilo que vemos, mas sobretudo aquilo que não vemos.Existe uma realidade objectiva e uma aparente realidade, e qualquer uma delas contribui decisavamente para o estado de vida que temos. Claro que somos seres sociais,intectuais, e intervenientes na sociedade de várias maneiras, mas nem sempre aquilo que é a nossa intervenção nos mais variados aspectos contribuímos para a sociedade na mesma medida que o nosso pensamento, ou digamos que aquilo que pretendemos transmitir é realmente aquilo que pensamos, ou por outra ordem aquilo que transmitimos é deveras aquilo que filosóficamente queremos transmitir. Parece um paradoxo aquilo que estou a dizer mas trata-se de um problema de consciência, e se essa consciência é mesmo aquilo que pensamos e é simultaniamente aquilo queremos de facto. Partindo do principío de que todos temos objectivos a atingir, socialmente,intectualmente e em termos profissonais e enfim na sociedade que nos permita ser felizes, e realizados. Somos pessoas contraditórias, tal como é contraditória a sociedde em que existimos, e as contradições que todos queremos ultrapassar são por vezes grandes contradições, e essas estão bem defenidas, embora eu não tenha a exacta medida de que isso seja uma razoável ideia, e tambem as pequenas contradições que nos movem e teremos ou não a exacta defenição de interesses legitimos do ponto de vista colectivo ou são uma mera preocupação do nosso ego ou então dos nossos compromissos individuais e que no fundo são a contradição dos principíos que gloriosamente defendemos de uma ideia de sociedade ao serviço de todos e para todos.Existem bem perto de nós exemplos quando alguma coisa muda em torno de questão objectivas na sociedade e que de alguma forma contribuímos para essa mudança, subitamente estamos na busca de pequenos privilégios que são postos em causa e então surge a contradição de que a mudança conflitua connosco. Oiço muitas vezes dizer que revoluções se fazem com revolucionários, mas ramente pensamos o que está subjactente a ideia de revolução, e subjacente a outras ideias que são mantidas e que mais não passam de ideiaas conservadoras e retrógodas e que socialmente são o simbolo do retrocesso. Quantos de nós já reflectimos sobre isto !Quantos de nós já exprimimos ideias,reflecções,oipiniões que no fundo contrariam a concepção de ideia que temos de uma filosofia de vida. A tomada consciência determina uma concepção e adopção de uma filosofia de vida, e a filosofia é em si mesma uma ciência pela qual o nosso pensamento se move que levado à prática gera em si mesma uma tomada de consciência e como tal uma sigular tomada de uma prática consequente com a ideia filosófica. A ideia e a prática são inseparáveis porque uma determina o conhecimento e a outra determina a transformação da realidade, sem qualqquer uma delas não pode existir uma real transformação da realidade em que vivemos e que muitos de nós queremos que seja ao serviço de todos. A nossa sociedade precisa urgentemente de que o conhecimento aliado a uma prática consequente transforme a nossa realidade e a torne ao serviço do seu Povo.